segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

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quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Atenção! O que não se pronuncia não se escreve.

O novo acordo ortográfico assim o impõe. Com algumas exceções, em que é possível com e sem aquela consoante que ajudava a reforçar o sentido da ação ou da coisa. Credo, isto é mesmo estranho. Temos de começar já a trabalhar o lado preguiçoso dos nossos cérebros. Mas até 2012 temos desculpa. Vá lá...No fundo somos todos atores de uma nova arquitetura da nossa língua. Passar de pharmacia para farmácia só fez com que a palavra pharmacia se enchesse daquele valor que pertence aos achados históricos. E eu, que já cá tenho meio século, acho o máximo poder, de repente, pertencer aos próximos cem anos, pelo menos, na utilização desta componente da palavra- nação- portuguesa.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Interlúdio poético musical

LE CRI DE LA CARPE : Ann Ballester, Dominique fonfrède concerto no Triton (Les Lilas), setembro 2004. Realizador : Gilles Marceaux. (liveweb.arte.tv/fr)

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Jule e Francisca

 
 
 
 
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domingo, 21 de Junho de 2009

Um domingo diferente

videoEsta "coisinha" maravilhosa passou o dia connosco. Tem poucos meses de experiência de vida e logo foi encalhar com a veterana Francisca, que, como se esperava, ficou "de quatro" com a Jule.

sábado, 23 de Maio de 2009

Pelo teu 7º dia no Paraíso

sábado, 16 de Maio de 2009

Espero reencontrar-te por aí

Dois anos, das 9 às 17. menos meia hora, ou não, conforme fosse ou não necessário. Foram duas vezes 300 dias, em que nos ouvimos e aturámos, nos discutimos e confrontámos, nos conhecemos e gostámos. e, fosse como fosse, nos jurámos amizade para sempre. 2 anos. E 2 anos depois desses dois, em que nos vimos mais duas vezes, dois natais, e nos prometemos almoços, jantares, passeios e sociedades, e, nesta eterna suspensão, toca o meu telemóvel novo, acabadinho de comprar, numa inesperada e indesejada chamada - a notícia brutal do teu ignóbil desaparecimento. Mas eu não me conformo, e acho que isto não fica por aqui. Há-de haver uma vida depois desta onde nos vamos voltar a ver e todos os seres que amámos nesta vida vão estar também nessa outra que há-de ser eterna e de eterna felicidade, que é aquilo que eu gostava que tivesses sido nesta. Para ti, a minha amizade eterna! Bem hajas, onde agora estiveres, E.S.M.

domingo, 19 de Abril de 2009

Agrippina de Handel

(Agrippina e Claudio - Foto Google)
Em homenagem a Handel (1685-1759), desaparecido há 250 anos, deixo aqui uma tradução livre da sinopse da ópera Agrippina*, actualmente em cena no T.N.S.Carlos, em Lisboa.
*A partir da tradução inglesa de George Hall, do original de Gloria Staffieri (Libreto de Vincenzo Grimani).
A acção passa-se em Roma, meados do Séc.I.
1º. Acto
Agrippina, mulher do imperador Claudio, explica ao seu filho Nero que é chegado o momento de ele ascender ao trono. Mostra-lhe uma carta na qual é revelado que Claudio morreu, vítima de uma tempestade no mar. Agrippina não perde tempo e, sendo pessoa de não olhar a meios para atingir os seus fins, manda chamar, sem que nenhum saiba do outro, os cortesãos Pallante e Narciso, que sabe estarem por ela apaixonados. A cada um deles confia as novas do desaparecimento de seu marido e pede-lhes que, em troca do seu amor, apoiem, no Capitólio, a nomeação de Nero como seu sucessor. Mais tarde, quando ao povo e no Capitólio, é anunciada a morte de Claudio, ouvem-se imediatamente as vozes de Pallas e Narcissus a apoiar Nero como novo César. Agrippina e Nero estão prestes a ascender ao trono, quando o servo de Claudio, Lesbo, surge de súbito a anunciar que o imperador desembarcou em Anzio, são e salvo, graças à ajuda do valoroso Ottone, e acrescenta que, como recompensa de o ter salvo, Claudio prometeu a Ottone o trono. Perante estas notícias, os quatro conspiradores ficam desnorteados. Porém, numa conversa privada, Ottone confia a Agrippina que prefere o amor de Poppea ao trono. Sabendo que Claudio também ama Poppea, Agrippina desenha um novo esquema que permitirá ao seu filho ascender ao poder. Vai a casa de Poppea e, assegurando-se de que ela ama Ottone, diz-lhe que ele a traiu cedendo-a a Claudio por forma a obter o trono e sugere-lhe que, como vingança, ela provoque ciúmes a Claudio, dizendo-lhe que Ottone, inchado com o seu novo papel, lhe ordena que recuse Claudio e se lhe entregue. Perante isto, Claudio punirá Ottone retirando-lhe o trono. Poppea cai na armadilha e, quando Claudio chega, segue à letra o plano de Agrippina, obtendo dele tudo o que deseja.
2º. Acto
Entretanto, numa rua de Roma, perto do palácio imperial, Pallante e Narciso, tendo descoberto os planos de Agrippina, decidem formar uma aliança. Ottone, nervoso com a sua coroação eminente, quando Claudio chega aclamado pela multidão, vai ter com ele para lhe lembrar do prometido. Mas este repele-o brutalmente, chamando-lhe traidor. Consternado, Ottone pede apoio, primeiro a Agrippina, depois a Poppea, mais tarde, a Nero, mas todos se distanciam dele, deixando-o mergulhado no mais profundo desespero. Mas Poppea começa a acreditar que a infelicidade de Ottone é genuína e a duvidar da sua culpa e desenvolve um estratagema para descobrir a verdade. Vendo-o aproximar-se, senta-se num recanto do seu jardim e finge estar a dormir, e fingindo falar a dormir revela-lhe o que Agrippina lhe disse, que ele a tinha cedido a Claudio em troca do trono. Quando Ottono, contrariando as mentiras da mãe de Nero, declara a sua inocência, Poppea vê finalmente os desígnios de Agrippina e jura vingar-se. Agrippina, entretanto, apercebendo-se da gravidade da situação, planeia mais crimes: Primeiro, manda chamar Pallante e promete-lhe o seu amor se matar Ottone e Narciso; de seguida, pede a Narciso que mate Pallas e Ottone. Se, neste momento, os cortesãos não se deixam por ela enganar, já com Claudio tem melhor sorte. Dizendo ao seu marido que Ottone planeia vingar-se dele pela perda do trono, pede-lhe que se apresse a declarar Nero o seu sucessor. Claudio, impaciente por partir para estar com Poppea, dá-lhe o seu consentimento.
3º.Acto
Poppea, que deseja reparar o mal feito a Ottone, concebe um plano: Dá instruções ao seu amante para se esconder e controlar o seu ciúme, ouça o que ouvir. Nero: (Que ela tinha previamente convidado) chega: Também ele ama Poppea e arde de desejo por ela, mas esta diz-lhe que sua mãe está prestes a chegar e convence-o a esconder-se. A seguir, chega Claudio, e Poppea queixa-se que o imperador não a ama realmente e, quando ele lhe relembra tudo o que fez por ela, mencionando o castigo de Ottone, Poppea sustenta que foi mal compreendida, não tinha Ottone a importuná-la, mas sim Nero. Poppea esconde então o imperador e chama Nero, que, acreditando que Claudio já se foi embora, sai do seu esconderijo e retoma o seu discurso amoroso. Claudio interrompe-o e manda-o embora com rudeza. O plano funcionou: Livrando-se de Claudio com uma desculpa, Poppea conduz Ottone para fora do seu esconderijo e os dois, reconciliados, juram-se amor eterno. Entretanto, o enredo adensa-se: Nero conta a sua mãe a recente desgraça e pede-lhe que o defenda da fúria de Claudio, enquanto Pallante e Narciso informam Claudio da conspiração urdida por Agrippina durante a sua ausência, de tal modo que, quando Agrippina apressa Claudio na coroação de Nero, Claudio acusa-a do crime de usurpação de poder. Ela admite ter lutado pela coroação de Nero, mas defende-se clamando tê-lo feito para prevenir o pior: Perante as notícias da morte de César, soldados, povo e Senado uniram-se de imediato para a sucessão e então, para assegurar que o trono permanecesse nas mãos de Claudio, aclamou Nero. Claudio fica convencido pelas palavras de Agrippina. Mas esta imediatamente aproveita para o acusar de traição, pressionando-o a manter distância de Poppea, dizendo-lhe que esta é amante de Ottone, o que ele refuta, dizendo-lhe que é Nero quem deseja Poppea. Quando Poppea, Nero e Ottone chegam, Claudio acusa Nero de se ter escondido nos aposentos de Poppea, o que este não pode negar. Entretanto, no meio de todo este tumulto, e para surpresa de todos, o imperador ordena que Nero se case com Poppea e Ottone seja o seu sucessor. Mas esta solução não satisfaz nenhuma das partes envolvidas, pelo que Claudio, desejando pôr um fim no conflito, cede o trono a Nero e oferece Poppea em casamento a Ottone. Por fim, chama Giunone (Juno) para abençoar todos e trazer glórias ao império.

domingo, 29 de Março de 2009

Longas ausências...

...Prestações demasiado raras. Parece gralha mas não é. Estou aqui para explicar porque não tenho vindo cá mais vezes. Não é que faça grande falta. Mas isto é aquilo que se costuma chamar de "falar com os meus botões" ou "pensar em voz alta". No caso é, escrever em voz muito alta e irritada. Porque se não tenho cá vindo ao meu operador de internet o devo. Dificuldades de comunicação, falhas na linha, telefones sem funcionar. Estou de cabelos em pé de tanta irritação. Ainda ontem cá vieram dois técnicos que ainda deixaram isto pior. Ainda se o tempo estivesse bom para passear, mas o vento e o súbito arrefecimento da temperatura, para além de uma surdez parcial provocada pelas alergias da época, deixam-me um pouco desconsolada. Não estou a dizer que é tudo mau ou menos bom, não. Até que me sinto bastante feliz, apesar de tudo. A eterna e reconhecida como válida lei das compensações funciona sempre, para o mal e para o bem. Só não tenho é vindo aqui. E gosto de cá vir, pronto. É uma forma de me propagar pela rede, sei lá...

domingo, 15 de Março de 2009

Divagações de fim-de-semana

Leio pensamentos de Jorge Luis Borges, enquanto ouço "Agrippina" de Handel e entrecorto com um conto de Sam Shepard. Tudo muito bonito, mas a dispersão mata a perspectiva e a profundidade do momento. Vou-me em diversas ordens de ideias, numa sede de tudo ter. E nada sobra. Apenas o momento que já passou. E a memória frágil de três ambientes mentais quase antagónicos. A chegada da Primavera encapotada em Verão mente-nos com um Sol de Inverno, e deve ser essa a explicação para tanta confusão que sinto na pele que, cada vez menos, suporta ambiguidades. A vida no campo tem destas coisas. Comichões e deslumbramentos. Odores e espanto. E a proximidade do mar é outro tanto de muita coisa de que aproveito o essencial, o transporte líquido em liberdade azul cintilante para mundos conhecidos e desconhecidos onde sempre queremos ir para depois voltar e recordar e voltar a ir e acrescentar mais à nossa ínfima existência. Fim do fim-de-semana mas não das divagações. Li há pouco, no "Público", que as nossas expressões faciais vão passar a poder comandar aparelhos género aipodes, tipo um piscar de olho muda para a faixa seguinte, um abrir de boca para a anterior e por aí fora. Isto não pode ser verdade. A sê-lo, temos mesmo a robotização do gesto humano a chegar ao seu pleno. Tudo se conjuga para nos condicionar a espontaneidade. Tirei a foto ao riacho antes que seque. O riacho faz parte do mundo rural da zona onde habito. A foto foi tirada ontem, quando regressava da exposição "Lá fora", que fui ver antes que se fosse embora. (Ups, acabo de cometer um erro que, segundo J.L.Borges, é altamente reprovável - palavras com o mesmo som numa mesma frase.) Gostaria também de falar sobre essa exposição, de que hoje foi o último dia. Talvez amanhã, que hoje já estou a dispersar-me para outras coisas.

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Charles Darwin nasceu há 200 anos. Ai sim? E...

...E há 150 anos publicou um livro A origem das espécies por selecção natural , uma teoria da origem das espécies segundo a qual "todos os seres orgânicos que viveram sobre a Terra descendem de uma forma primordial", todos descendem de um mesmo organismo que foi evoluindo, modificando-se, adaptando-se, por selecção natural. Segundo a sua teoria, só os indivíduos mais bem adaptados de cada população sobrevivem para deixar descendência. Em 1871, publica A Descendência do Homem , onde acrescenta que a evolução das faculdades humanas como a inteligência e a moral se deu a partir dos antepassados símios, através da selecção natural. Em 1953, Francis Crick e James Watson confirmaram a teoria de Darwin, ao descobrirem que cada organismo transporta um código químico da sua própria criação no interior das suas células, um texto escrito numa linguagem comum a toda a vida: o simples código de quatro letras do DNA, o chamado Código Genético. Em 2003, ao concluir-se a sequenciação genoma humano, verifica-se a sua semelhança com o dos chimpanzés, revelando-se a descendência de um antepassado comum. E assim se confirma, polémicas religiosas à parte, que Darwin estava certo. E tão certo estava, que mais razões dá à espécie humana para ter respeito pela natureza em todas as suas formas. A tão badalada frase: "Respeitar o meio ambiente" faz ainda mais sentido numa perspectiva Darwinista. E, para terminar este apontamento, duas curiosidades: Há quem se tenha aproveitado politicamente das teorias de Darwin e seus continuadores para utilizações pérfidas, como, por exemplo, o nazismo; E parece que também da dita teoria se retira que, na sua evolução, o Homem tenha perdido a sua cauda, ficando apenas um orgão vestigial chamado cóccix, assim como há quem interprete no cordão umbilical, vestígios da nossa remota ascendência arborícola. Como já toda a gente sabe, inaugura hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, uma importante e imperdível exposição sobre Darwin. Estou muito curiosa.
Para este apontamento baseei-me na revista National Geographic Portugal, edição de Fevereiro, nº. 95 e num artigo publicado na revista Actual do Jornal Expresso de 07 deste mês. Foto in images.google.pt

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Batman com Tallulah

A propósito de Tallulah Bankhead, que despertou a minha atenção em leituras recentes, e depois de visualizar alguns vídeos sobre ela no YT, encontrei uma preciosidade, daquelas que só se encontram em sótãos das nossas avós (isto imaginando que tenho menos 20 anos de idade...que é, de facto, a minha idade mental). Não é que Tallulah faça o meu género como pessoa, era demasiado saltitante para meu gosto, mas que fez estória, lá isso fez. E o grande achado foi logo arrumado aqui, para quem quiser passar uns momentos hilariantes de ficção científica (repare-se nos gadgets do herói). E a voz de Tallulah em playback de Robin que o torna muito mais másculo do que quando fala com a sua própria. Há muito que não me ria tanto.

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Músicas de filmes

Hoje apeteceu-me ouvir músicas de filmes, enquanto tratava dos assuntos domésticos, porque a senhora especialista na matéria não compareceu, por suposta gripe. Agora que tenho um aspirador silencioso, até que nem custa tanto. E os paninhos pré-embebidos também limpam o pózinho (pázinha ou pázinho) muito bem, sem grandes atchins. E assim, ao som do "The Last Emperor" (música de Ryuichi Sakamoto, David Byrne e Cong Su), despachei o assunto com inspiração oriental. Depois, apeteceu-me Ry Cooder em "The End of Violence", e é o que continuo a ouvir enquanto escrevo isto. Deste, diria que se trata de um conjunto de esboços musicais, uma colagem de sons provindos do passado e do futuro para se deterem perante o nosso ouvido, à laia de ponto de situação. Do outro, que foi ao encontro da necessidade de alimentar uma atmosfera mental criada pela vizualização de "Tokyo Ga", um filme de Wim Wenders que vi ontem na tv. Falo de um filme realizado por um ocidental sobre um realizador asiático, do princípio do séc. XX, Ozu, e sobre a cidade de Tóquio e a sua crescente ocidentalização. O "Último Imperador", de Bernardo Bertolucci, embora sendo sobre a História da China, tem, na sua banda sonora, a mãozinha de Sakamoto, o que lhe dá um toque nipónico, principalmente no tema principal. Há muito que não ouvia quer um, quer outro e soube-me tão bem que tive logo de vir aqui desbocar este bem estar. E depois, aquela coincidência de ter Wim Wenders em ligação directa com tudo isto. O alemão que consegue expôr em écran os mais íntimos recantos do espírito de um povo, seja ele o seu próprio, o americano, o japonês ou o português. Fascina-me o seu sentido de universalidade em simultânea coordenação com as diversas matizes culturais e sociais. Ele consegue criar uma empatia, que extende a nós, espectadores dos seus filmes, com cada um dos locais onde escolhe filmar, e com aquilo que é único e específico em e de cada um. Colhe o essencial, o espírito do lugar habitado, através dos indivíduos, reais ou representados, que melhor o incorporam. Sublinho também a perfeição plástica da sua obra, banda sonora incluída, e voltando ao princípio deste post, re-desenho o mapa deste meu percurso mental para verificar se não me perdi algures...E acho que não: Estou entre dois universos sonoros, cujo ponto em comum é Wenders. Curioso, não é?

terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Quando a música é Música e o cinema Cinema.

Para quem ande mais distraído, chamo a atenção para a revista de música clássica "diapason", que este mês vem com um extra muito especial: Bach por Heifetz. Um cd que me acompanha enquanto ando por estas andanças cibernéticas. Partitas para violino, BWV1004 e 1006 e os concertos para violino nºs. 1 e 2, BWV 1041 e 1042. Depois da queda aparatosa que acabo de dar e da qual desconheço ainda as sequelas, excepto alguma dificuldade motora de que me tentei alhear com "O homem que sabia demais", de Alfred Hitchcock , este belíssimo momento musical é qualquer coisa de especial. Do filme, de que retiraria algumas imagens fantásticas para uma boa colecção de fotografia, fica-me a revelação da proveniência do tema "Whatever Will Be"("Que sera, sera"), uma das mais conhecidas canções de Doris Day, e que, afinal, desempenha um papel da maior importância nesta película do grande senhor do suspense. Quanto à crise, on vera, vera...

segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

A Valsa com Bashir

Ainda não fui ver mas tenciono. Os soldados israelitas também sofrem.

domingo, 4 de Janeiro de 2009

O Estado de Sítio do Mundo em Geral II

É difícil pretender-se ser feliz quando já não nos podemos permitir ignorar o que se passa de grave noutros sítios do planeta em que vivemos. A força bélica de Israel arrasa o povo palestiniano e o Ocidente nada pode contra. O inferno instituído naquela zona é qualquer coisa de pasmar. É o pior da natureza humana no seu melhor. Como criar consenso entre dois povos que não se toleram? Como evitar o ódio de um povo contra quem lhe usurpa o território? Que situação absurda na desigualdade dos meios utilizados. Não haverá algures numa mente iluminada solução pacífica para este eterno conflito? Que tristeza. No meu íntimo, formulo um desejo profundo de que um qualquer milagre ilumine o obscuro estado de alma destes dois povos.

quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

sábado, 13 de Dezembro de 2008

Alice Russell

No momento em que coloco aqui este vídeo estará a acontecer um concerto desta menina no "Music Box", em Lisboa. Vi o anúncio e fui tentar saber como e o que canta. Canta muito bem Soul/Funk. O vídeo podia ser melhor, mas até que não está despropositado. Fiquei com alguma pena de não ter ido ouvê-la.

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Lisboa - a minha cidade

Hoje, a pretexto de cuidados com a minha saúde, fui até à cidade onde nasci. Arrumei o assunto saúde física e fui tratar da mental. Depois de uma breve visita a um centro de consumo para média/alta burguesia, só para dar uma olhadela nas edições musicais e revistas a condizer que não vi em lado nenhum, reconstrui-me em direcção à Gulbenkian, ou melhor, ao Centro de Arte Moderna (CAM), a fim de degustar algumas saladas com paisagem verde em pano de fundo. E fiquei maravilhada com o inusitado encontro com o eterno. As pessoas atrás do balcão, salvo uma ou outra, continuam as mesmas, são as mesmas. A montra continua tão bem guarnecida como há 30 anos atrás. Os jardins, inspiradores como sempre. Os mesmos ângulos de enquadramento, a mesma atmosfera de recolhimento artístico. Cada pessoa uma luz. O paraíso. Para finalizar, uma visita à feira do livro a decorrer no Museu Gulbenkian. Adquiri duas obras: uma teoria filosófica sobre religião, de David Hume e outra sobre gravura japonesa do séc.XX, porque continuo bastante interessada em cultura japonesa. Tratei da minha saúde mental, portanto.
Ainda dentro do tema desta minha intervenção bloguista, adorei passear um dia destes na Baixa, entrar em lojas que eu já nem sabia ser possível encontrar. Lojas que vendem sabonetes Musgo Real e Leite de Colónia (para a beleza realçar...), toucas para banho daquelas redondas e com folhos e mãozinhas para coçar as costas. Almocei um maravilhoso sável frito com açorda num restaurante cheio de patine na Rua dos Correeiros e comprei um chapéu que me fica a matar numa loja muito em voga para quem curte retro. Passeei no Martim Moniz e na Rua da Palma. E senti a cidade em toda a sua diversidade como já há muito não sentia. Ai esta alma alfacinha que só está bem onde sente o fado.

sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Paul Newman no Estoril

Sempre vi Paul Newman como um actor, um bom actor com uma imagem bela. Um olhar azul lindo e bom, a imagem ideal da estrela de cinema. Não conhecia a sua faceta de realizador. Nunca tinha calhado não sei porquê. A minha estreia, no entanto, foi um tanto ou quanto estranha. Se gostei da obra, desgostei-me profundamente da forma como me foi transmitida: Uma película velha e riscada e uma projecção em solavanco contínuo,  quase desde o seu início. Da maneira como a imagem saltava quase parecia  que alguém estava a fazer coisas inapropriadas para o local encostado à máquina de projecção. Saí de lá com dor de cabeça mas a querer rever o filme em condições decentes (e não estou a moralizar...). 
Tudo se passou no Centro de Congressos do Estoril hoje, entre as 15h e as 17h e 15m. O filme: The Glass Menagerie (1987), baseado na peça homónima de Tennessee Williams, com interpretação de Joanne Woodward, John Malkovich, Karen Allen e James Naughton. 
Conclusão: Paul Newman era um óptimo realizador. Tennessee Williams um excelente escritor. Todos os actores divinos. Mesmo aos solavancos, valeu a pena. Stop!

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

American Evolution

Graças a Deus! Os Estados Unidos da América acabam de eleger a mudança, a esperança, o arquétipo dos seus ideais, a voz das suas mais urgentes aspirações, o homem que significa logo à partida a vitória do puro sobre os impuros, da raça humana sobre a segregação racial. Today, I am an American!

sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Jazz Dramático em Cascais

Tenho saído pouco, ultimamente. Mas quando saio, sou muuuito selectiva. E ontem, a coisa funcionou. Centro Cultural de Cascais (CCC) em busca de um jazz-ie...perdido no tempo em que desejei e não pude estar naquele dreamático pavilhão. Gostei do que vi, mas tenho duas coisinhas a apontar: 1. Insuficiência de informação em matéria de legendagem nas fotos e elementos expostos; 2. Toda a exposição parece girar em torno do seu organizador - o seu nome aparece em todo o lado, numa homenagem às suas próprias recordações do jazz. Não lhe tiro o mérito mas haveria matéria para muito mais, dentro desse mundo de apreciação autofocada. Duarte Mendonça ou Vilas Boas, para já não falar em José Duarte, para mim o expoente máximo da divulgação do jazz em Portugal até há bem poucos anos, foram enunciados bastante abaixo do que se exigiria. Mas, mesmo assim, valeu a pena e, se calhar, não fora a carolice do seu organizador, nem isto teria acontecido .

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Pôr do Sol

Vejo o Sol reflectido na casa em frente.
Está-se quase a pôr.
Daqui a meia hora desaparece por detrás da sombra desenhada por um arquitecto de casas para viver e morrer. Amanhã o Sol vai renascer.
E nós? Sonhamos diferente.
Mas não somos diferentes.
E é assim que é.
Mas o Sol continua a ser a nossa luz.
Uma luz que queima, que pode cegar, que nos pode evaporar. A noite é o abismo.
A lâmpada que ilumina o espaço não nos ilumina o espírito e ensombra a carne do nosso ser. Sombria, eu?
Não.
Busco respostas, como toda a gente.
E desencontro-me.
Rodeiam-me lógicas disfuncionais.
O outro indivíduo que me habita é um invasor. Palavras fortes?
Não.
Palavras que se atrevem a ser escritas,
porque consinto uma brecha no silêncio.

quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

haiken medera

Estou japãoadicta.
Se não aprender a falar japonês agora, não sei se algum dia vou retomar esta paixão e será uma perda para a minha cultura geral.
Só leio coisas japonesas, vejo filmes japoneses, e isto é de tal ordem que até um japonês meteu conversa comigo (em inglês, claro), talvez porque naquele momento eu estivesse interessada num livro de poesia japonesa (tanka, no caso)...E quiçá porque estivesse no CAM (Gulbenkian), Livraria Almedina, em pleno auge do acontecimento Jazz em Agosto, este ano muito dedicado ao... jazz japonês, lá está. Mas, pelos vistos, não sou a única a ter esta paixão (passada, presente ou futura). Em tempos, mais ou menos há 30 anos, esteve na moda ler Yukio Mishima e ouvir Riushi Sakamoto. Mas isso fazia parte de um composto de cultura pop, punk, funk, disco, euforia anos 80, outras coisas. Não isto. Isto é um interesse mais profundo, que ultrapassa, espero, a paixão. Mas, pelo sim pelo não, devia mesmo agarrar a oportunidade e aprender japonês. Deve ser fascinante.
Wenceslau de Moraes, por exempo, é um caso de imersão total no mundo japonês. O seu "Relance da Alma Japonesa", que li entusiática e divertida, faz o levantamento do que o autor considera a psiche do nativo, a sua impessoalidade, a ligação com a natureza, com as coisas simples, com a eterna renovação, com a ancestralidade. A comparação com a nossa forma de estar na vida é hilariante mas deixa-nos a pensar.
O japonês que me interpelou sabia da métrica tanka (31 sílabas = 5,7,5,7,7) e do haiku (17 sílabas ). Vi logo que era um homem culto.

quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Tempos menos bons?

Quando nos acontece algo de preocupante, e algo ainda mais preocupante, seguido de mais preocupações, parece que, de repente, a realidade se transforma numa espécie nevoeiro, sem horizontes definíveis, obrigando-nos a vaguear sem nexo, estuporados, prostrados. Mas, enquanto tal acontece, há uma luz, às vezes muito pequenina, que nos dá alento e impulsiona em direcções de optimismo e nos faz acreditar que tudo tem uma solução. Essa luz é O Sonho. Aquele sonho de que fala O Poeta. Aquela capacidade de ver cor onde só existe cinzento. Aquela força positiva do pensamento a guiá-lo para a claridade das ideias límpidas e apaziguadoras. Quando tudo parece em queda, afinal existe sempre a possibilidade de nos refazermos e restabelecermos contacto com A Harmonia. Basta Sonharmos e sabermos Querer. O Amor trata do resto.

segunda-feira, 28 de Abril de 2008

'Tá-se bem em Lisboa e nalguns arredores

Ele é o indie Lisboa '08, onde ainda é possível ver ou já ter visto "Patti Smith - Dream of Life", de Steven Sebring; ele é Pina Baush, que aí vem com o seu consagrado "Cafe Muller", para além de outras obras igualmente aclamadas nas suas anteriores visitas ao nosso país; ele são os variados espectáculos de Jazz que por aí vão acontecendo; ele foi Meredith Monk, no CCB, que tem um novo álbum - "impermanence"; ele é o relançamento da revista "Ler", sob a direcção, em continuidade, de Francisco José Viegas;e as feiras do livro que por aí se encontram a granel, uma na Av. de Roma, em frente ao Teatro Maria Matos, outra em Algés, à saída do comboio, outra no metro do Cais do Sodré. E quem vá a Cascais, também lá vai encontrar uma. 'Tá-se bem*.
*É certo que depende no ponto de vista de cada um.

quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Morre o Cinema Quarteto - Morre o seu fundador

A lógica implacável que atravessa estes factos e me faz chorar a dobrar.
A morte do cinema Quarteto fora mais um ataque feroz à memória da nossa cultura. Ainda se fosse transformado em museu do cinema, cristalização do que foi um lugar marcante de uma época de mudança e revolução na nossa sociedade, e prestada homenagem ao seu fundador. Mas não. Mataram também o seu fundador. Pedro Bandeira Freire morreu hoje, na sequência de um AVC - coisa que dá muito naqueles que sofrem grandes choques emocionais. Tinha entregue as chaves do Quarteto há cerca de um mês. Será que não havia hipótese de um subsídio extraordinário do Ministério da Cultura, ou da Câmara Municipal de Lisboa? Como é que não se encontra uma solução para uma coisa destas? Não se podia modernizá-lo, prolongando a sua vida com cinema alternativo, a exemplo das salas geridas por Paulo Branco?
Mas não. O assunto morreu, porque, a haver uma solução, o seu fundador deveria estar vivo para vê-la e com ela rejubilar. Agora é tarde demais!
Fica aqui um excerto de um artigo publicado recentemente no blog A Bomba, e que sintetiza o que se possa dizer sobre o assunto:
«O mais importante do Quarteto foi, todavia, a revelação de uma nova forma de programar, assente no amor pelas obras exibidas. A 21 de Novembro de 1975, abriu finalmente as suas portas. «Foi um espanto!», diz quem lá esteve. No mesmo prédio, quatro salas, quatro filmes em simultâneo: o primeiro multiplex de Portugal! Para os cinéfilos, foi o deslumbramento. Os filmes de estreia eram um luxo: S. Miguel tinha um Galo, dos Irmãos Tassani; Um Filme Doce, de Makavejev; Amor em Tons Eróticos, de Mai Zetterling; e E deram-lhe uma Espingarda… de Dalton Trumbo. Assim nasceu o Quarteto, com bilhetes a 30$00.» Aliás, é de ler o artigo completo.

sábado, 22 de Março de 2008

No dia Mundial da Água

Esta é a água que me enche o espírito. Esta a fonte dos meus suspiros. Esta é a minha noção de infinito.

quarta-feira, 19 de Março de 2008

Duquesa de Medina Sidonia

Fiquei impressionada com esta senhora, primeiro por um artigo "In Memoriam", de José Cutileiro, publicado no jornal "Expresso" de 15 de Março passado, e, depois, por uma pequena pesquisa que efectuei na internet e que veio consolidar a primeira impressão com que dela fiquei: De foi uma mulher de uma coragem, frontalidade e dinamismo difíceis de igualar. Nascida no Estoril, em 1936 e falecida no dia 7 deste mês, "de causas naturais", segundo a imprensa espanhola, Luisa Isabel Alvarez de Toledo y Maura, conhecida como a "Duquesa Vermelha", foi, desde sempre, uma rebelde, ou melhor, uma contestatária, socialista, denunciadora de injustiças sociais e agindo de acordo como tal, tendo estado presa por isso mesmo, por ir contra tudo o que considerava errado na ordem social estabelecida.
Essa atitude perante a vida não obstou a que tenha sido a guardiã incansável do espólio de 500 anos herdado de sua ilustre família - uma das linhagens mais antigas de Espanha e da Europa.
Mas nada melhor do que transcrever o que Mário Soares escreveu para o "Diário de Notícias" sobre esta grande figura da aristocracia ibérica:
A Duquesa Vermelha. Como alguns semanários portugueses noticiaram, morreu, na passada sexta-feira, no seu castelo de Sanlúcar de Barrameda, na foz do rio Guadalquibir, Luísa Isabel Alvarez de Toledo y Maura, duquesa de Medina Sidónia e marquesa de Villafranca, uma dos "grandes" de Espanha.Era uma personalidade muito singular. Tendo nascido no Estoril, em 1936 - no ano fatal do golpe clerical-franquista contra a II República Espanhola, que se transformaria em cruenta guerra civil (1936-39) - numa família da mais alta aristocracia, aliás muito ligada a Portugal (Luísa de Gusmão, mulher de D. João IV, pertencia à linhagem dos Medina Sidónia), tornou-se em adulta republicana e anarquista, depois de um casamento infeliz, que desfez, assim que lhe foi possível.Pela parte da mãe era neta de António Maura, outro "grande" de Espanha, que foi ministro da República e avô em linha recta do intelectual e escritor espanhol Jorge Semprun, ministro da Cultura de um dos governos de Felipe Gonzalez. Conheci a duquesa de Medina Sidónia, quando se encontrava exilada em Paris, depois de ter estado presa nos cárceres franquistas, para evitar novas prisões. O Maio de 68 ainda estava próximo e o ar que se respirava em Paris, em pleno gaullismo, era de grande liberdade e não só política.Lembro-me que a conheci num jantar do Centro Republicano de Paris, em homenagem ao político catalão Companys, fuzilado pelos franquistas, onde se encontrava também a sua viúva. Nos arquivos da Fundação Mário Soares deve ainda haver uma fotografia desse evento onde eu figuro, sentado ao lado da Duquesa Vermelha. Falámos muito nessa noite. Naturalmente de Espanha, de Portugal e das respectivas libertações. Conspirámos um pouco. E ficámos amigos. Vimo-nos ainda algumas vezes em Paris. Depois da Revolução dos Cravos, visitou--me em Lisboa, não sem reconhecer que, finalmente, Portugal se tinha libertado da ditadura primeiro do que Espanha!Mas a transição espanhola veio logo em 1976-78. A duquesa de Medina Sidónia regressou a Espanha, entretanto. Filiou-se no PSOE. Participou em manifestações. Distribuiu terras suas às cooperativas de camponeses da Andaluzia. E, sobretudo, zangou-se com muita gente, porque era de feitio conflituoso, frontal, dizia o que pensava, sem papas na língua, e era muito senhora do seu nariz.Cansada da política, refugiou-se no seu castelo de Sanlúcar de Barrameda e meteu-se, furiosamente, a organizar o seu valiosíssimo arquivo histórico, com a colaboração da sua inseparável amiga alemã, Liliana, com quem vivia em união de facto, perfeitamente assumida. A última das suas originalidades consistiu em casar in articulo mortis, coerentemente, com a sua amiga Liliana, a quem deixou os seus bens.Um dia, era eu Presidente, telefonou-me para Belém. Disse-me que se tinha zangado com o reitor da Universidade Complutense de Madrid, que, aliás, era um homem consensual e pacífico, que conheci bem. Queria estabelecer um contacto com a Universidade de Coimbra, cujo prestígio conhecia desde sempre. Pediu-me, numa palavra, para fazer o contacto. Assim fiz. Contactei o meu amigo, reitor de Coimbra, Rui Alarcão, e disse-lhe do que se tratava. Ele ficou francamente interessado. E daí, partimos os dois, de automóvel, para Sanlúcar de Barrameda, onde passámos uma noite e jantámos com a Duquesa e a sua inseparável amiga e conversámos longamente. Uma noite divertida e encantadora.Acho que o acordo não chegou a concretizar-se. Infelizmente. Não sei bem porquê. Mas dessa noite - e da nossa conversa - ficou-me uma recordação indelével. Lembro-me que referiu e mostrou um velho relatório que encontrou nos seus arquivos, de um espião de Felipe II de Espanha, que assistira à batalha de Alcácer-Quibir e que assinalava ao Rei que D. Sebastião não tinha morrido e fugira. Lembrei-me de um grande romance de Aquilino Ribeiro - de pura ficção, Aventura Maravilhosa , que narra a fuga de D. Sebastião, depois da batalha, até chegar, após imensas peripécias, ao Escorial, para reclamar o trono ao seu tio Felipe II. Que o reconheceu e o mandou matar.Será que os sebastianistas teriam alguma razão ao afirmar, naqueles tempos, que D. Sebastião não morrera em Alcácer-Quibir?! Eis um enigma que alimenta há séculos a nossa História e a imaginação de muitos portugueses. (Por Mário Soares – no Diário de Notícias de 18.03.2008)
Notável, não?

segunda-feira, 3 de Março de 2008

Françoise Sagan ou um mistério em Paris

Alguns dias depois da morte de Françoise Sagan, encontrava-me a passar uns dias em Paris e, tanta publicação à volta do assunto - capa de jornais, revistas e suplementos - acordou em mim uma vontade imensa de reler "Bonjour tristesse", seu primeiro e talvez mais conhecido romance. Escreveu-o quando tinha 18 anos e eu li-o quando tinha 14 ou 15 anos, sendo que fazia parte da biblioteca de casa de meu avô. Nunca mais o vi desde então. Era na sua língua original, em francês, e lembro-me que, para além de ter gostado muito, fiquei satisfeita por conseguir lê-lo sem grandes dificuldades. Agora percebo que tal se deve à sua escrita simples e acessível. A escrita de uma adolescente.
Com a ideia fixa de adquirir a dita obra, iniciei a minha procura e logo encontrei uma pilha de livros à venda numa grande e famosa loja de artigos culturais. Foi mesmo a primeira coisa que saltou à vista, quando lá entrei: uma edição acabadinha de sair, que compilava grande parte da sua obra, incluindo o "Bonjour tristesse", inúmeros exemplares empilhados em cima de uma bancada. Como a edição era um pouco cara e eu só queria mesmo aquela obra particular, não decidi logo a compra e optei por deixar para o fim a decisão, partindo dali para a minha deambulação costumeira pela zona da música, onde me detenho sempre bastante tempo.
Quando regresso ao local, já decidida a levar aquela edição, qual não é o meu espanto ao verificar que já não estava lá nenhum exemplar. Tinham desaparecido todos. Ou sido retirados, por alguma razão que não me foi explicada. Fiquei perplexa e um pouco desapontada, mas pensei que não iria, certamente, ter dificuldades em encontrar um exemplar do livro de estreia desta escritora numa qualquer outra livraria. Assim, comecei a perguntar por ele em tudo o que era livraria, e em todas me diziam que estava esgotado. Fui ficando cada vez mais obcecada com o assunto. Perguntei e perguntei, até que, aleluia, num alfarrabista, daqueles que têm bancadas de livros velhos no passeio em frente ao estabelecimento, um rapaz por acaso muito simpático, me responde sim, que tinha um exemplar lá fora, no passeio. Et voilá! Um livro de capa dura com impressão de um desenho de Paul Klee (Mise en Garde) e na lombada, tout simplement, Françoise Sagan Bonjour Tristesse. É o que se pode ver no cimo deste apontamento. O preço? Cinco euros. Acho que fiquei com um sorriso do tamanho do mundo. E não é que ainda hoje me interrogo sobre o que terá acontecido a todos aqueles livros que eu vi quando entrei no princípio desta história?