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sexta-feira, 18 de junho de 2010

O dia da morte de José Saramago

Que dia, este.
Era suposto dedicá-lo à minha mãe, em exclusividade, porque fez hoje 76 anos que foi colocada na roda viva que é a vida, e, afinal, acabei por dividir grande percentagem do dia com este espectável, dada a fragilidade que vinha aparentando nos últimos tempos, e no entanto desolador de tão triste, acontecimento que foi a morte de José Saramago. Uma perda imensa. Um pensador, um original, um artesão da língua portuguesa como mais ninguém. Um homem que não se detinha perante nada para se fazer ouvir na denúncia de tudo o que achava errado nas práticas políticas deste planeta. Enfim, uma grande pessoa.
Descanse em paz, José. Vamos sentir muito a sua falta.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A pastorinha de António Lobo Antunes

A primeira coisa que li com jeito, hoje de manhã, e que tive mesmo dificuldade em terminar a sua leitura, foi a crónica de António Lobo Antunes na revista Visão, ontem posta à venda (nº.887). A dificuldade citada não decorre de qualquer dificuldade de compreensão do texto ou até de concentração, é que a emoção desassossegou-me os sacos lacrimais e, com os olhos invadidos de lágrimas não é possível ver-se grande coisa. Foi, portanto, a custo de cheguei ao fim de uma das mais belas homenagens que se podem fazer a uma mãe. Aliás, sempre que "ataco" um escrito de Lobo Antunes, tenho de me preparar psicologicamente para o abano emocional. Normalmente riu e choro. Desta vez foi só lágrimas e um sorriso triste que acompanharam um sentimento de plenitude que há muito não sentia enquanto leitora. Salvé, António Lobo Antunes! Bem haja!
Quanto à revista Visão, a minha favorita na especialidade, só tenho a apontar um desaire que fez com que eu não a tivesse comprado na semana passada, mas vi que já se retratou nas suas cartas aos leitores. Aquela capa revoltou-me. Não há o direito de: 1º. Expôr a pessoas mais sensíveis a uma imagem chocante como é aquela; 2º. Faltar ao respeito da família do exposto e, 3º. faltar ao respeito ao próprio que não lhe bastava ter morrido e ainda ser objecto da curiosidade mórbida que alimenta algumas criaturas com as quais evito cruzar-me nesta vida (e já agora nas próximas, também).

domingo, 18 de novembro de 2007

Leio, logo existo +

Mia Couto é um escritor doce, poético, muito sensível, muito querido e...um sábio. Dele emana uma sabedoria antiga, uma coisa com raízes bem fundas que nos encanta e delicia. Há um brilho transcendental e uma carga telúrica em tudo o que escreve. Os temas da sua escrita são, invariavelmente, África e os seus nativos, a sua História, as suas lendas, a sua forma de estar na vida.
Não conheço a África de Mia Couto, nem sei se algum dia lá irei, mas, através da sua obra, vou descobrindo esse continente de uma forma, tenho a certeza, muito mais profunda e completa, do que se por lá passasse em passeio turístico. Neste momento encontro-me a ler "O Outro Pé da Sereia" (Editora: Caminho/Outras Margens), obra que avança por zonas mais obscuras da alma humana. Antes, tinha lido "O Fio das Missangas", sátira social muito engraçada, em vários contos, qual deles o melhor, sem, no entanto, perder as características que acima reconheci no seu autor. E vou continuar, intercalando com outras leituras, por esse mundo literário singular que é a obra deste escritor maior moçambicano.