domingo, 29 de março de 2009

Longas ausências...

...Prestações demasiado raras. Parece gralha mas não é. Estou aqui para explicar porque não tenho vindo cá mais vezes. Não é que faça grande falta. Mas isto é aquilo que se costuma chamar de "falar com os meus botões" ou "pensar em voz alta". No caso é, escrever em voz muito alta e irritada. Porque se não tenho cá vindo ao meu operador de internet o devo. Dificuldades de comunicação, falhas na linha, telefones sem funcionar. Estou de cabelos em pé de tanta irritação. Ainda ontem cá vieram dois técnicos que ainda deixaram isto pior. Ainda se o tempo estivesse bom para passear, mas o vento e o súbito arrefecimento da temperatura, para além de uma surdez parcial provocada pelas alergias da época, deixam-me um pouco desconsolada. Não estou a dizer que é tudo mau ou menos bom, não. Até que me sinto bastante feliz, apesar de tudo. A eterna e reconhecida como válida lei das compensações funciona sempre, para o mal e para o bem. Só não tenho é vindo aqui. E gosto de cá vir, pronto. É uma forma de me propagar pela rede, sei lá...

domingo, 15 de março de 2009

Divagações de fim-de-semana

Leio pensamentos de Jorge Luis Borges, enquanto ouço "Agrippina" de Handel e entrecorto com um conto de Sam Shepard. Tudo muito bonito, mas a dispersão mata a perspectiva e a profundidade do momento. Vou-me em diversas ordens de ideias, numa sede de tudo ter. E nada sobra. Apenas o momento que já passou. E a memória frágil de três ambientes mentais quase antagónicos. A chegada da Primavera encapotada em Verão mente-nos com um Sol de Inverno, e deve ser essa a explicação para tanta confusão que sinto na pele que, cada vez menos, suporta ambiguidades. A vida no campo tem destas coisas. Comichões e deslumbramentos. Odores e espanto. E a proximidade do mar é outro tanto de muita coisa de que aproveito o essencial, o transporte líquido em liberdade azul cintilante para mundos conhecidos e desconhecidos onde sempre queremos ir para depois voltar e recordar e voltar a ir e acrescentar mais à nossa ínfima existência. Fim do fim-de-semana mas não das divagações. Li há pouco, no "Público", que as nossas expressões faciais vão passar a poder comandar aparelhos género aipodes, tipo um piscar de olho muda para a faixa seguinte, um abrir de boca para a anterior e por aí fora. Isto não pode ser verdade. A sê-lo, temos mesmo a robotização do gesto humano a chegar ao seu pleno. Tudo se conjuga para nos condicionar a espontaneidade. Tirei a foto ao riacho antes que seque. O riacho faz parte do mundo rural da zona onde habito. A foto foi tirada ontem, quando regressava da exposição "Lá fora", que fui ver antes que se fosse embora. (Ups, acabo de cometer um erro que, segundo J.L.Borges, é altamente reprovável - palavras com o mesmo som numa mesma frase.) Gostaria também de falar sobre essa exposição, de que hoje foi o último dia. Talvez amanhã, que hoje já estou a dispersar-me para outras coisas.